sexta-feira, 13 de maio de 2011

Leishmaniose em gatos




OCORRÊNCIA DE LEISHMANIA SP EM GATOS
 
INTRODUÇÃO
 
Apesar dos relatos da ocorrência de leishmaniose visceral em felinos, a literatura é muito escassa no que diz respeito à pesquisa de Leishmania chagasi em animais de áreas endêmicas, sendo possível que infecções em gatos sejam relativamente comuns em algumas dessas regiões.

Acredita-se que gatos infectados possuam certo grau de resistência natural à doença, provavelmente relacionada à fatores genéticos. Apesar da ocorrência de infecções esporádicas, os felinos não são considerados, até o momento, um reservatório importante da doença, havendo poucas informações quanto ao potencial desses animais servirem como reservatórios. Também são pouco conhecidas a prevalência, a transmissão e o quadro clínico da enfermidade nessa espécie. A primeira referência a leishmaniose felina data de 1756 quando Russel, no relatório de sua viagem à cidade de Aleppo, na Índia, descreveu que, além do homem e dos cães, os gatos eram acometidos pela doença. Casos esporádicos da enfermidade foram descritos a partir do século XX, notadamente nos países onde a infecção por Leishmania sp. é endêmica.

A primeira descrição de leishmaniose felina (LF) no mundo data de 1927, aproximadamente 2 séculos depois de Russel. Hoje em dia, apesar de ser considerada de rara ocorrência, nos últimos anos, houve um aumento no número de casos relatados em todo o mundo. Cerca de 30 casos foram reportados, sendo que 11 deles tiveram origem na América do Sul, dos quais 10 foram diagnosticados no Brasil.

Atualmente, o avanço nas técnicas de diagnóstico bem como a maior preocupação com a saúde dos animais de companhia, principalmente em países desenvolvidos, devem ter favorecido este aumento. Praticamente, as mesmas técnicas utilizadas para evidenciar a presença do parasito e/ou anticorpos contra eles utilizadas no diagnóstico da enfermidade em cães são aplicáveis aos felinos. No entanto, a LF é ainda pouco estudada em vários aspectos tais como prevalência, manifestações clínicas, transmissão do parasita ao vetor e espécies dos protozoários envolvidos. Além disso, há pouca informação sobre a real susceptibilidade e importância dos gatos na transmissão de Leishmania spp.

Todos estes fortes indícios podem levar a acreditar que a LF não seja comum, principalmente por não colocá-la dentro da suspeita clínica durante a realização de um atendimento no dia a dia da clínica de pequenos animais.
Alguns trabalhos publicados discorrem sobre a infecção de gatos domésticos por Leishmania spp, incluindo relatos de casos clínicos e inquéritos epidemiológicos, bem como infecção experimental e atratividade e preferência alimentar de alguns flebotomíneos com relação aos gatos.

Em um trabalho realizado em Araçatuba/SP (Claudio Nazaretian Rossi e colaboradores), foram colhidas amostras de soro de 200 gatos, encaminhados ao Centro de Controle de Zoonoses, bem como realizadas biópsias aspirativas de linfonodo, medula óssea, baço e fígado, utilizados para a confecção de preparados citológicos para a pesquisa direta de formas amastigotas de Leishmania sp. A prevalência da doença nessa população de gatos foi de 6,5%. Dos 200 animais avaliados, oito (4,0%) apresentaram resultado parasitológico positivo, seis (3,0%) apresentaram títulos sorológicos acima do ponto de corte pela técnica de ELISA e um (0,5%) evidenciou título superior ao ponto de corte (1:40) pela RIFI, totalizando 13 gatos considerados positivos.
 
SINAIS CLÍNICOS
 
O quadro clínico na leishmaniose felina é inespecífico e se assemelha ao quadro clínico observado na espécie canina, dificultando o diagnóstico. Sintomas como depressão, anorexia, emaciação, estomatite, gengivite, êmese, diarréia, hipertermia, desidratação, hepatomegalia, linfoadenomegalia local ou generalizada, lesões cutâneas, dermatite seborréica úlcero-crostosa, alopecia difusa, uveíte e atrofia da musculatura temporal já foram descritos como formas de apresentação da leishmaniose visceral em gatos, mas na grande maioria dos casos, se apresentam na forma de lesões cutâneas (93%) ulceradas e nódulos presentes na face, orelha, focinho (figura 1) e patas. São similares àqueles observados em outras doenças como criptococose e esporotricose, tornando-se então os diagnósticos diferenciais de grande importância. Eventualmente a doença pode assumir uma forma aguda típica e o animal evolui para o óbito em poucas semanas. As alterações hematológicas e bioquímicas encontradas em gatos doentes são similares às descritas para a espécie canina.
 
Fig. 1 – Leishmaniose cutânea em um felino – lesão no focinho (A) e orelha (B).
Fonte: Retirado do trabalho de SOUZA e colaboradores.
 
 
DIAGNÓSTICO
 
As alterações hematológicas e bioquímicas encontradas em gatos doentes são similares às descritas para a espécie canina. Os principais métodos sorológicos utilizados têm sido as técnicas de ELISA e RIFI, além da visualização das formas amastigotas extracelulares e intracelulares em esfregaços confeccionados a partir de lesões(figura 2).

Da mesma forma que a soroprevalência canina, a felina pode variar sensivelmente de acordo com a metodologia utilizada (amostragem, técnica sorológica e ponto de corte adotado) e com a região geográfica estudada. Além disso, os gatos podem ser mais refratários que os cães à infecção por Leishmania sp.

Evidências apontam que a leishmaniose felina pode estar associada a doenças imunossupressoras, tais como a leucemia (FeLV) e imunodeficiência (FIV) viral felina. O papel desses agentes precisa ser esclarecido, uma vez que em alguns estudos a presença de infecção por Leishmania sp. têm sido correlacionada com soroposititividade para FIV e/ou FeLV.

Para o diagnóstico da Leishmaniose Felina e diagnóstico diferencial, o TECSA laboratórios oferece a seus clientes as seguintes análises, indicando o material a ser coletado para cada uma delas:

 


Fig. 2 – Formas amastigotas extracelulares e intracelulares em esfregaços confeccionados a partir de lesões de um felino infectado.
Fonte: Retirado do trabalho de SOUZA e colaboradores.
 
 
EXAME COMPLEMENTAR / AMOSTRA
PRAZO
(dias)
PERFIL CHECK UP GLOBAL DE FUNÇÕES - sangue total colhido em tubo sem anticoagulante e plasma colhido em tubo com fluoreto.
01
HEMOGRAMA COMPLETO – sangue colhido em tubo com EDTA
0
Sorologia para Leishmaniose Felina – sangue total colhido em tubo sem anticoagulante;
02
Imunohistoquímica para Leishmaniose – fragmento de tecido em formol a 10%;
05
Pesquisa de Leishmaniose – punção de medula ou linfonodo ou imprint de lesão ulcerada em lâmina;
03
Pesquisa de Sporotrix schenkii – fragmento de tecido e/ou swab de lesão;
02
FIV - IMUNODEFICIENCIA FELINA - sangue total colhido em tubo sem anticoagulante
01
FELV - LEUCEMIA FELINA - sangue total colhido em tubo sem anticoagulante
01
Cultura para fungos – fragmento de tecido e/ou swab de lesão;
15
Biopsia de pele e coloração especial – fragmento de pele em formol a 10%;
05
PCR para Leishmaniose – Punção de medula ou linfonodo.
03
 
Referencias disponíveis com autor, se necessário consulte-nos."


RT - Dr. Luiz Eduardo Ristow CRMV MG 3708

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