quinta-feira, 12 de maio de 2011

Leishmaniose: "Matar cães não resolve um problema que é de saúde pública e falta de prevenção adequada"

Vitor Marcio Ribeiro
Em publicação científica (Cadernos de Saúde Pública, 2004) foi registrado que entre os anos de 1993 a 1997, cerca de 13 mil cães tiveram resultados sorológicos falso positivos, e, portanto, foram mortos incorretamente, em Belo Horizonte. Uma verdadeira chacina cometida pelo poder público e que não teve punição, pois nada foi apurado pelos órgãos fiscalizadores de atuação dos profissionais responsáveis pelos exames, observou o professor e veterinário Vitor Márcio Ribeiro, durante a palestra “Leishmaniose Visceral: Previna e trate essa doença”, ocorrida no dia 10 de maio, na Assembléia Legislativa de Minas Gerais. “Se fosse um caso de erro médico, como uma tesoura esquecida na barriguinha de uma cadela, a punição não tardaria”, comparou o palestrante.

Ética De acordo com o professor, 50% dos animais soropositivos são assintomáticos, sendo impossível comprovar somente pelo exame sorológico, que esse animal está de fato infectado. Também por isso não se pode aceitar que se mate os animais baseados nesse exame. Os kits para a realização dos exames pelo método da Reação da Imunofluorescência Indireta (RIFI) para o diagnostico da infecção distribuídos pelo Ministério da Saúde aos laboratórios públicos e privados não são utilizados até a diluição final para cada animal, o que compromete a segurança do diagnóstico e mantém a maior probabilidade de falsos positivos por reações cruzadas com diversas condições. A diluição mínima 1:40 favorece o erro e não permite que esses animais possam ser controlados durante o tratamento. Conforme discutido durante a palestra, os exames realizados atualmente para detectar a doença nos levantamentos dos órgãos públicos nos cães pesquisam anticorpos, ou seja, podem sugerir se o cão teve contato com a Leishmania, mas não podem assegurar que ele esteja infectado, doente ou transmitindo o protozoário. “O teste sorológico não é parâmetro, a não ser que seja por diluição plena, demonstrando títulos elevados, acima de 1:160. Por tudo isso, matar cães como se faz no Brasil hoje em dia, como prevenção da Leishmaniose Visceral, não é ético, entre outras coisas, porque falta segurança no diagnóstico correto”, observou o professor e veterinário. 


O professor Vitor Ribeiro explicou que a Leishmaniose Visceral endêmica no Brasil desde os anos 50 é zoonótica e que o maior número de infectados está entre crianças e indivíduos imunossuprimidos, ou seja, aqueles com baixa imunidade, a exemplos de pacientes com HIV ou diabetes. O agente da Leishmaniose Visceral no Brasil é a Leishmania infantum, a mesma que provoca a doença na Europa, nos homens e cães. Em outras partes do mundo, como África e Ásia, quem provoca a Leishmaniose Visceral é a Leishmania donovani. Crianças e indivíduos com baixa imunidade são as vitimas mais freqüentes. O fato se agrava em função da pobreza e falta de condições de infraestrutura, pois a alimentação inadequada e as condições de vida são fatores que pioram o quadro de enfraquecimento do organismo.


Número de participantes surpreendeu positivamente os organizadores do gabinete do deputado Fred Costa (PHS)
Dengue X leishmaniose Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que anualmente ocorrem em torno de 500 mil novos casos por ano de Leishmaniose Visceral, com registro de 50 mil mortes. Em torno de 30% dos casos de Leishmaniose Visceral que ocorrem no mundo, são causados pela Leishmania infantum. A doença nos cães está praticamente em todo território nacional. Em humanos a doença tem grande gravidade. Só para se ter idéia, quando comparamos a Leishmaniose Visceral com a Dengue em Belo Horizonte, em 2010, verificamos que ocorreram 131 casos humanos de Leismaniose Visceral com 22 mortes. Em comparação ocorreram 51.775 casos de Dengue e, desses, 15 mortes. 

Matar cachorro não é solução Ocupando o topo da lista entre os países da América Latina que apresentam casos de Leishmaniose Visceral, com 90% dos casos, o Brasil se atrapalha na prevenção e exporta equívocos no combate à doença, conforme pontuou o professor e veterinário. A OMS, inclusive, em seu informe oficial, publicado em 2010, cita o país, como exemplo de estratégia inócua no combate à doença a partir do maciço e radical extermínio de cães.


Lâmina com recomendações para o controle do vetor
“É fato comprovado em estudos estatísticos, sem quaisquer apelos emocionais envolvidos, que matar cachorro é a estratégia de menor eficiência para o controle da doença. Estratégias voltadas para o controle do vetor e campanhas de vacinação são os métodos preventivos mais eficazes no combate à doença, conforme apontam os estudos científicos”, destacou o professor. 

Ainda de acordo com o palestrante, existe expectativa de que o Ministério da Saúde (MS) se posicione sobre a utilização das vacinas existentes no Brasil contra a doença nos cães, uma vez que conforme os estudos apresentados pelos laboratórios não parece existir dúvidas sobre suas eficácias e resultados. Parece haver receio de que a aprovação dos produtos resulte em gastos com campanhas nacionais de vacinação, que seguramente devem ser cobradas pela sociedade. Uma vez que, assim como no caso da raiva, uma zoonose que também acomete seres humanos, o MS realiza campanhas de vacinação em todo o país e o mesmo deveria ser feito em relação às vacinas de prevenção à leishmaniose. 


Palestra prendeu a atenção dos presentes
Forma de transmissão A transmissão da Leishmania infantum se dá pela picada da fêmea do flebótomo (mosquito), após ter picado, e se contaminado, em um animal ou até mesmo em um homem infectado. Portanto, explica o palestrante em tom de brincadeira, que não se pega leishmaniose pelo contato com o animal ou homem infectado, doente e em tratamento.Você pode beijar e ser beijado por alguém infectado, seu cachorro doente também pode lambê-lo que você não vai pegar a doença.

Além dos cães, outros reservatórios, como raposas, gambás, homens, ratos e gatos são descritos na literatura cientifica. É evidente que não dá para sair matando esses reservatórios, ressalta, observando, por exemplo, que matar gambás e raposas, animais da fauna nacional, é crime. A discussão aqui passa, sobretudo, pelo controle das populações de animais reservatórios, através da esterilização e métodos contraceptivos.


A reação dos donos que têm seu cachorro como membro da família é de escondê-los diante do método tirânico e ditatorial do poder público para retirar o cão do convívio com os familiares

Prevenção Como formas de prevenção à doença, o professor Vitor Ribeiro também destacou o uso de inseticidas centrados nos cães, como a coleira impregnada com deltametrina (a coleira Scalibor), inseticidas tópicos piretróides, inseticidas ambientais, manejo ambiental e evitar exposição dos cães fora de casa em horários crepusculares (início da manhã e fim de tarde) e noturnos, momentos em que a fêmea do flebótomo estará ativa para sua alimentação.

Uma vez infectado, a alternativa é o acompanhamento veterinário para seu tratamento, que, não é reconhecido pelo Ministério da Saúde, mas que vem sendo defendido cada vez mais pelos médicos veterinários, atentos à qualidade de vida e importância do cão nas famílias. O grande desafio do tratamento,reconhece Vitor Ribeiro, é o acompanhamento, pois ele requer o comprometimento do proprietário, ou seja, passa pela conscientização para a guarda responsável do animal, com o controle por toda sua vida e uso constante de produtos inseticidas, além dos medicamentos prescritos pelo veterinário.

(Texto e fotos: Nádia Santos, jornalista)




terça-feira, 10 de maio de 2011

Revista médica britânica lança série avaliando saúde pública brasileira

Publicação britânica destaca o estudo (Foto: The Lancet / reprodução)Publicação britânica destaca o estudo (Foto: The
Lancet / reprodução)


A revista médica britânica “The Lancet”, uma das mais influentes do mundo, publicou nesta segunda-feira (9) uma série de artigos sobre a situação da saúde pública no Brasil. Na avaliação dos pesquisadores, o país deu passos importantes desde a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1988, e houve melhoras significativas neste período.
O documento é “uma ampla revisão sobre a saúde e a assistência médica de nossa população”, preparado por uma equipe de 29 especialistas em saúde pública, e destaca sucessos e fracassos das políticas implementadas.
“O principal sucesso é o fato de que toda a população pode ter acesso à saúde pública, o que não é comum nos países como o Brasil”, disse ao G1 o epidemiologista Cesar Victora, da Universidade Federal de Pelotas (RS), que coordenou o projeto.
O principal sucesso é o fato de que toda a população pode ter acesso à saúde pública, o que não é comum nos países como o Brasil"
Cesar Victora, coordenador da série
Os estudos avaliaram a saúde pública brasileira por cinco aspectos: sistema de saúde, saúde das mães e das crianças, doenças infectocontagiosas, doenças crônicas não transmissíveis e violência e lesões físicas.
Entre os destaques positivos, os médicos mostram que o país reduziu significativamente a mortalidade causada pela doença de Chagas, pela esquistossomose, pela diarreia infantil e pela Aids. A vacinação funciona bem e, segundo Victora, o Brasil é um “exemplo” nessa área. Houve progresso significativo em relação à maioria dos aspectos citados nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, documento das Nações Unidas.
Por outro lado, a dengue e a leishmaniose visceral foram consideradas fora de controle. A saúde das mães também é uma preocupação, pois há muitos abortos ilegais e os partos são “hipermedicalizados” – metade é de cesarianas. O avanço da obesidade e das doenças relacionadas a ela também foram citados, assim como o alto número de mortes violentas, seja por crimes ou por acidentes.
Por fim, os autores sugerem uma série de ações ao governo, aos trabalhadores de saúde, ao setor privado, às universidades e outras instituições de pesquisa e formação e à sociedade civil, como formas de melhorar a saúde pública nacional. “O desafio é, em última análise, político e requer a participação ativa da sociedade, na perspectiva de assegurar o direito à saúde para toda a população brasileira”, diz o texto.
Fonte: G1

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Marília - Suspeitas de Leishmaniose colocam Saúde em alerta



Se confirmado o tipo mais sério da doença, Marília passa a integrar o grupo de risco


Marília tem três casos suspeitos de Leishmaniose. A informação é da Divisão de Zoonoses da Secretária Municipal da Saúde. Duas das ocorrências em cães foram detectadas em bairros da zona norte e um no distrito de Padre Nóbrega. Saúde está em alerta e se forem confirmados os casos, os animais terão que ser sacrificados para que não haja risco de transmissão entre a população.
Ainda não sabe se trata-se do tipo mais perigoso da doença a LVA (Leishimaniose Viceral Americana) que nunca existiu na cidade ou da cutânea/tegumentar. “Na sorologia deu positivo para leishimaniose, agora aguardamos resultado do exame que especifica o tipo”, afirma o coordenador da Divisão de Zoonoses, Lupércio Garrido.
Os casos foram confirmados em demandas de rotina dos agentes de saúde, tendo sido enviado material ao IAL (Instituto Adolfo Lutz). Se confirmado o tipo mais sério da doença, Marília passa a integrar o grupo de risco de transmissão.

Ainda de acordo com o coordenador neste ano foi enviado inquérito com exames feitos em 78 cães na zona leste- área de mata- todos tiveram resultados negativos. No ano passado casos importados já foram detectados em Marília. “Nestes casos os cães são submetidos à eutanásia, já que não existe tratamento para os animais”, diz Garrido.
A Leishamaniose é transmitida pelo mosquito palha que transfere o parasita ao se alimentar de sangue de animais reservatórios infectados, para pessoas e animais. O mosquito se reproduz em matéria orgânica em decomposição como fezes de animais e frutas podres. “Por isso a limpeza e higiene de quintais é atitude mais importante para prevenção”, frisa Garrido.
No ser humano, o tipo cutâneo caracteriza-se pela formação de feridas na pele. Já a LVA, forma mais severa da doença, se caracteriza por acometer vários órgãos internos, entre eles o fígado e o baço.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Justificativa do PL 510/10, e andamento da tramitação do veto na ALESP

TRAMITAÇÃO DO VETO NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

O presidente do CRMV-SP, Dr. Francisco Cavalcanti,  lutou incansavelmente para que o PL 510/10 não fosse aprovado na Casa Legislativa,  depois solicitou o veto ao então Governador, Dr. Alberto Goldman, fazendo em seguida a mesma solicitação ao Secretário de Saúde, Dr. Luiz Roberto Barradas Barata


Em contrapartida a ANCLIVEPA Brasil encaminhou ao então Governador, Dr. Alberto Goldman, uma carta de apoio à aprovação do referido Projeto de Lei 510/10, porém sem sucesso.


Infelizmente em 15 de Julho o então Governador, Dr. Alberto Goldman, atendeu à solicitação do presidente do CRMV-SP, Dr. Francisco Cavalcanti, e vetou o PL 510/10

Não obstante, ao saber da tramitação do veto na ALESP, o Dr. Francisco Cavalcanti encaminhou ao Presidente da Casa, deputado estadual Barros Munhoz, uma solicitação para que impedisse a tramitação do veto.

Em 31 de Janeiro de 2011 a ANCLIVEPA Brasil divulgou uma Carta Aberta à População, onde esclarece sua analise e posicionamento diante da LVC no Brasil


Recentemente a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de São Paulo emitiu um parecer contrário ao veto, o mesmo aconteceu na Comissão de Saúde que também emitiu um parecer contrário ao veto, solicitado ao governador pelo presidente do CRMV-SP, Dr. Francisco Cavalcanti.

Em Junho de 2008, logo após a Lei Estadual 12916/08, de autoria do deputado estadual Feliciano Filho, que acaba com a matança indiscriminada de cães e gatos nos Centros de Controle de Zoonoses, Canis Públicos e congêneres ser sancionada, o CRMV-SP, presidido pelo Dr. Francisco Cavalcanti, impetrou um Mandado de Segurança Coletivo, na intenção de derrubá-la.

Cabe portanto o questionamento se tal atitude contempla os anseios de toda classe médico veterinária, que votaram e o elegeram para tal cargo representativo.

JUSTIFICATIVA PL 510/10


A Leishmaniose Visceral é considerada uma antropozoonose (doença que se transmite dos animais aos homens e vice-versa) e atualmente está entre as seis endemias prioritárias do mundo (OMS). Essa doença apresenta ampla distribuição mundial e mais de 90% dos casos que ocorrem na América Latina, são diagnosticados no Brasil.

O cão é o portador mais bem estudado e por isso é considerado o principal reservatório doméstico, servindo como fonte de infecção para o inseto vetor. Porém outros animais como gatos, raposas, gambás, roedores, também são reservatórios da doença.

Hoje, um decreto federal do senado, nº 51.838, de 14 de março de 1963, condena todos os animais com suspeita de Leishmaniose Visceral Canina a serem eutanasiados, e como se não bastasse, uma portaria interministerial nº 1.426, de 11 de julho de 2008, proíbe o tratamento de cães com a doença com produtos de uso humano ou não registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Ao contrário do que tem sido divulgado, a OMS e vários pesquisadores questionam a eficácia do sacrifício de animais como medida de combate à doença, visto que mesmo com a matança de animais por sucessivos anos, o número de pessoas infectadas com a doença só tem aumentado.

O Brasil é o único país do mundo que mata animais com leishmaniose como forma de controle da doença. E os resultados globais apresentados pelo Ministério da Saúde denotam que a adoção de tal técnica não tem obtido os resultados esperados.

Atualmente, os principais métodos utilizados para o diagnóstico sorológico são: o ELISA (Reação Imunoenzimática) e a RIFI (Reação de Imunofluorescência Indireta) utilizando antígenos totais, e objetivam detectar anticorpos contra Leishmania. Porém estes apresentam um alto índice de resultados falso-negativos, pela demora em apresentar a produção de anticorpos para o teste detectar (em média três meses após ser infectado), e também de resultados falso- positivos, já que outras doenças podem apresentar reações cruzadas como: chagas, toxoplasmose, erliquiose, co-infecção por erliquiose e babesiose e neosporose (Zanette, et al., 2006).

Estudos indicam que os diagnósticos sorológicos apresentam um índice de resultados falso-positivos chegam a 48% e devem ser utilizados, estritamente, para levantamento epidemiológico e nunca como critério de diagnóstico da doença.

Os exames parasitológicos são os mais indicados para o diagnóstico seguro e são considerados como o teste padrão ouro para o diagnóstico da doença. Os testes sorológicos utilizando proteínas recombinantes aumentam a especificidade do teste minimizando a ocorrência de reações cruzadas, mas que, ainda assim, ocorrem em número expressivo.

O exame parasitológico direto é realizado por meio de punção de órgão linfóides, como linfonodos, baço e medula óssea. Trata-se de um teste de alta especificidade. Ou seja, uma vez visualizado o parasito, não há dúvidas quanto à positividade da amostra. É considerado o mais confiável por especialistas para a confirmação do estado de portador.
O Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral Americana do Estado de São Paulo não preconiza a realização de exames de contraprova e se este, por motivos de força maior (solicitação judicial) for realizado, só serão aceitos os resultados obtidos de Laboratório de Referência Estadual. Esse importante fato, isoladamente, já condena a morte de milhares de cães, cujo primeiro exame diagnóstico, devido a sua precariedade, pode ter acusado falso positivo, além de impor ao proprietário do animal, que contestar o resultado positivo, a obrigatoriedade de sobrecarregar ainda mais Poder Judiciário, com um processo que pode levar anos para ser concluído, piorando ainda mais a situação, principalmente no caso do animal ser realmente portador e reservatório da zoonose, uma vez que o mesmo, até a confirmação não será tratado.

Sendo assim, para evitar que animais sejam mortos indevidamente, para um diagnóstico de certeza para a LVC, para termos o conhecimento real e preciso da quantidade de animais infectados com essa importante zoonose, a fim de proteger os humanos, entendemos que o procedimento diagnóstico mais eficaz e seguro seria através da realização de uma triagem sorológica (e.g., RIFI e ELISA), e nos cães com resultados positivos realizar a confirmação por algum dos métodos parasitológicos, para aumentar a possibilidade de diagnóstico da infecção ativa e minimizar a possibilidade de reação cruzadas. Os métodos de imunomarcação (imuno-histoquímica ou imunocitoquímica) aumentam a capacidade dos métodos parasitológicos em detectar o parasito.

Somente embasados em dados técnicos confiáveis sobre o número real de animais infectados pela Leishmaniose Visceral Canina poderemos desenvolver técnicas mais eficazes para diminuir sua disseminação, possibilitando o controle ético e humanitário da doença e o correto tratamento em seres humanos.

Por todo o exposto, contamos com a elaboração desses Nobres Pares para a aprovação do Projeto de Lei em tela.






Sala das Sessões, em 9-6-2010





a)      Feliciano Filho - PV



     




terça-feira, 19 de abril de 2011

Prefeito de Alto do Rodrigues explica matança de 26 cães no município


Foto: Alto Notícias

Júlio Pinheiro - repórter

Um vídeo que circula na Internet está provocando revolta nas redes sociais. No fim de semana, a Prefeitura de Alto do Rodrigues sacrificou 26 cães e enterrou os animais em um lixão da cidade. De acordo com o prefeito local, Eider Medeiros, a Prefeitura recolheu 50 cães de rua e os veterinários diagnosticaram que 26 animais tinham calazar, e por isso foram sacrificados e enterrados no domingo (17). Segundo o prefeito, a postagem do vídeo na Internet teve motivação política.

No início da tarde desta segunda-feira (18), um vídeo postado no YouTube mostrava o momento em que funcionários da Prefeitura do Alto do Rodrigues, utilizando uma carrocinha cedida pela Prefeitura de Assu, enterravam os cães em uma vala no lixão próximo à cidade.

O prefeito explicou que apenas animais de rua foram sacrificados e, mesmo antes do resultado de exame laboratorial, dois veterinários da Prefeitura do Alto do Rodrigues atestaram que os cães portavam leishmaniose viceral, mais conhecida como calazar. A doença é comum em homens e cães, sendo mais aparentes os sintomas nos animais. O prefeito Eider Medeiros disse que os cães foram sacrificados para conter um possível surto da doença na região.

"Nós estamos fazendo uma campanha para combater o calazar. Durante toda a semana informamos na rádio e em carros de som que haveria o recolhimento de cães que estivessem nas ruas e os donos teriam 24 horas para ir buscar os animais. Na sexta e sábado recolhemos os animais, 24 foram retirados pelos donos e os outros 26, com claros sintomas de estágio avançado de calazar, precisaram ser sacrificados e enterrados", explicou Eider Medeiros.

Com uma população de aproximadamente 12 mil pessoas, Alto do Rodrigues tem, segundo o prefeito, quase 2.400 cães. De acordo com Eider Medeiros, a atitude de sacrificar os animais antes do resultado do exame laboratorial foi necessária para evitar que outros animais pudessem ser contaminados. "As amostram foram enviadas para Mossoró e teremos os resultados mais à frente, para constar. Os veterinários viram o estado dos cães e era claro que eles estavam com a doença", disse.

Sobre o local onde os animais foram colocados, o prefeito explicou que membros da vigilância sanitária da cidade teriam liberado a vala como destino para os animais mortos. De acordo com ele, os técnicos garantiram que não há risco de contaminação de pessoas ou outros animais com os restos da cães mortos (e supostamente doentes) no lixão.

"Esse vídeo foi coisa do pessoal do DEM, que está revoltado porque deixaram o poder depois de 30 anos. São adversários desesperados", acusou Eider Medeiros.

Assista aos vídeos com as cenas de horror.
o transporte:

a chegada da carrocinha no lixão

o sepultamento:


Foto/Vídeos: Alto Notícias

Nota - Como sempre, na dúvida, mate o cachorro.
Essa é a política para o controle da Leishmaniose no Brasil.
O Brasil é o único país do mundo que mata cães como forma de controle da doença.
Não existem evidências científicas que comprovem a eficácia da matança.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Rio Preto é sede de evento contra a leishmaniose no noroeste paulista

           Rio Preto é sede de evento contra a leishmaniose no noroeste paulista

Cidades da região registraram muitos casos da doença no ano passado        


São José do Rio Preto será sede de um evento contra a leishmaniose no noroeste paulista, nos dias 8 e 9 de abril. O objetivo do I Seminário de Leishmaniose Visceral é conscientizar e para encontrar medidas efetivas para a redução da doença, como o encoleiramento em massa dos cães e a castração de animais.

“Nossa comissão pretende levar a discussão ao governo do Estado de São Paulo para apresentar as soluções existentes e ampliar as medidas para outras cidades do Estado”, enfatiza a presidente da comissão do Meio Ambiente da OAB de Jales e Defensora dos Animais, Vivi Vieri

O evento é realizado pela diretoria da 63ª subseção da OAB de Jales, através de sua Comissão do Meio Ambiente, pela a Associação Jurídica de Defesa Ambiental e Animal (AJUDAA) e pela Comissão do Meio Ambiente da OAB de Rio Preto.

Cidades como Araçatuba, Bauru, Jales e Santa Fé do Sul registraram alto número de casos de leishmaniose visceral no ano passado, que é uma grave doença de saúde pública por se tratar de uma zoonose de alta letalidade. Entre os palestrantes está o Médico Veterinário e Gerente Técnico da Intervet/Schering-Plough Animal Health, Andrei Nascimento, que abordará sobre prevenção, apresentando a importância da coleira impregnada com deltametrina a 4% (Scalibor®) e da sua utilização em larga escala. A palestra acontece no dia 9, às 8h30. 
 
Encoleiramento em massa no Brasil
 
Para combater o avanço da doença no País, o Ministério da Saúde fará um projeto-piloto de encoleiramento em massa de cães como uma das medidas de controle da leishmaniose visceral a partir de 2011. O projeto-piloto será um estudo para avaliação da coleira impregnada com deltametrina a 4% quando utilizada em larga escala, como ferramenta adicional no Programa Federal de Controle da Leishmaniose Visceral. 
 
As coleiras (Scalibor®, da Intervet/Schering-Plough Animal Health) serão distribuídas gratuitamente pelo governo para 20 cidades brasileiras consideradas endêmicas, contempladas no estudo. 
 
A Scalibor® é uma coleira impregnada com deltametrina a 4%, princípio ativo repelente e inseticida recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como uma das ferramentas que auxiliam na prevenção da leishmaniose visceral.
Sobre a leishmaniose visceral

A leishmaniose é transmitida, principalmente, através da picada de um mosquito conhecido popularmente como “mosquito palha”. O cão tem um importante papel na manutenção da doença no ambiente urbano visto que pode permanecer sem sintomas mesmo estando doente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a leishmaniose visceral registra anualmente 500 mil novos casos humanos no mundo com 59 mil óbitos. Quando não tratada, pode evoluir para óbito em mais de 90% das ocorrências. Na América Latina, ela já foi detectada em 12 países e, destes, cerca de 90%dos casos acontecem no Brasil, onde, em média, 3.500 pessoas são infectadas anualmente. 
 
Apesar de classificada como doença de caráter rural, a boa adaptação do mosquito transmissor à vida urbana tem permitido a rápida expansão da doença no Brasil. Os desmatamentos, processos migratórios e o crescimento desordenado também contribuem para essa expansão e alteração do perfil epidemiológico da doença.

“Por isso é de extrema importância adotar medidas preventivas para evitar que o cão seja infectado”, ressalta o Médico Veterinário e gerente Técnico da Intervet/Schering-Plough, Andrei Nascimento. “Pesquisadores estimam que nas áreas endêmicas, para cada humano doente, existam 200 cães infectados”, finaliza. 
 
Serviço:
I Seminário de Leishmaniose Visceral do Noroeste Paulista
Data: 08 e 09 de abril
Local: Casa do Advogado de Rio Preto
Endereço: Av Brigadeiro Faria Lima, 5853
Informações e Inscrições: leishmanioserp@gmail.com ou (17) 3632-2838

domingo, 27 de março de 2011

Donos recorrem à Justiça para evitar morte de cachorros



   O pitbull Vlad, tratado com remédio usado para combater doença reumatológica em humanos

Animais com leishmaniose escaparam do sacrifício após Judiciário ser acionado; ministério discorda de tratamento

Especialistas dizem ser possível controlar doença com remédio, mas teme-se que ação prejudique humanos


ELIDA OLIVEIRA
DE SÃO PAULO 

Donos de cães com leishmaniose lutam na Justiça para livrá-los da eutanásia. Para o Ministério da Saúde, os animais devem ser sacrificados logo após o diagnóstico para evitar a contaminação de pessoas e outros animais.


A doença, causada por protozoário e transmitida pela picada do mosquito-palha, pode matar. Especialistas garantem, porém, que é possível controlá-la com remédio.


O problema é que não há drogas veterinárias aprovadas no Brasil para esse fim, e os ministérios da Saúde e da Agricultura proíbem o tratamento de cães com medicamentos destinados a humanos desde 2008. O objetivo, afirmam, é evitar que o protozoário se torne resistente.


Há duas vacinas cadastradas no Ministério da Agricultura e Pecuária para prevenir o contágio, mas não estão disponíveis na rede pública.
Em meio à polêmica, a psicóloga Márcia de Jesus, 45, de Belo Horizonte, tratou o pitbull Vlad, de oito anos, com um remédio usado para combater uma doença reumatológica em humanos.


Ela conseguiu mostrar à Justiça que o cão não tem mais sinais da doença, contraída há seis anos, e não representa perigo. Venceu a ação.


Em Presidente Prudente (a 558 km de SP), a dona de casa Angela Maria da Silva, 50, ainda aguarda uma sentença que pode salvar Pluto, um SRD (sem raça definida) de sete anos, da morte.


Pluto está no canil municipal desde agosto do ano passado, sob ordem judicial. Antes disso, foi tratado com um antifúngico usado em gestantes com leishmaniose.


O Ministério da Saúde não sabe quantos cães são sacrificados por ano no Brasil por causa da doença.


O secretário nacional de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, afirma que a eutanásia é indispensável para cães doentes. "Tratá-los significa usar em larga escala os poucos medicamentos que temos para leishmaniose e, com isso, reduzir a eficácia dos produtos em humanos."



FONTE: FOLHA