quarta-feira, 6 de abril de 2011

Rio Preto é sede de evento contra a leishmaniose no noroeste paulista

           Rio Preto é sede de evento contra a leishmaniose no noroeste paulista

Cidades da região registraram muitos casos da doença no ano passado        


São José do Rio Preto será sede de um evento contra a leishmaniose no noroeste paulista, nos dias 8 e 9 de abril. O objetivo do I Seminário de Leishmaniose Visceral é conscientizar e para encontrar medidas efetivas para a redução da doença, como o encoleiramento em massa dos cães e a castração de animais.

“Nossa comissão pretende levar a discussão ao governo do Estado de São Paulo para apresentar as soluções existentes e ampliar as medidas para outras cidades do Estado”, enfatiza a presidente da comissão do Meio Ambiente da OAB de Jales e Defensora dos Animais, Vivi Vieri

O evento é realizado pela diretoria da 63ª subseção da OAB de Jales, através de sua Comissão do Meio Ambiente, pela a Associação Jurídica de Defesa Ambiental e Animal (AJUDAA) e pela Comissão do Meio Ambiente da OAB de Rio Preto.

Cidades como Araçatuba, Bauru, Jales e Santa Fé do Sul registraram alto número de casos de leishmaniose visceral no ano passado, que é uma grave doença de saúde pública por se tratar de uma zoonose de alta letalidade. Entre os palestrantes está o Médico Veterinário e Gerente Técnico da Intervet/Schering-Plough Animal Health, Andrei Nascimento, que abordará sobre prevenção, apresentando a importância da coleira impregnada com deltametrina a 4% (Scalibor®) e da sua utilização em larga escala. A palestra acontece no dia 9, às 8h30. 
 
Encoleiramento em massa no Brasil
 
Para combater o avanço da doença no País, o Ministério da Saúde fará um projeto-piloto de encoleiramento em massa de cães como uma das medidas de controle da leishmaniose visceral a partir de 2011. O projeto-piloto será um estudo para avaliação da coleira impregnada com deltametrina a 4% quando utilizada em larga escala, como ferramenta adicional no Programa Federal de Controle da Leishmaniose Visceral. 
 
As coleiras (Scalibor®, da Intervet/Schering-Plough Animal Health) serão distribuídas gratuitamente pelo governo para 20 cidades brasileiras consideradas endêmicas, contempladas no estudo. 
 
A Scalibor® é uma coleira impregnada com deltametrina a 4%, princípio ativo repelente e inseticida recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como uma das ferramentas que auxiliam na prevenção da leishmaniose visceral.
Sobre a leishmaniose visceral

A leishmaniose é transmitida, principalmente, através da picada de um mosquito conhecido popularmente como “mosquito palha”. O cão tem um importante papel na manutenção da doença no ambiente urbano visto que pode permanecer sem sintomas mesmo estando doente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a leishmaniose visceral registra anualmente 500 mil novos casos humanos no mundo com 59 mil óbitos. Quando não tratada, pode evoluir para óbito em mais de 90% das ocorrências. Na América Latina, ela já foi detectada em 12 países e, destes, cerca de 90%dos casos acontecem no Brasil, onde, em média, 3.500 pessoas são infectadas anualmente. 
 
Apesar de classificada como doença de caráter rural, a boa adaptação do mosquito transmissor à vida urbana tem permitido a rápida expansão da doença no Brasil. Os desmatamentos, processos migratórios e o crescimento desordenado também contribuem para essa expansão e alteração do perfil epidemiológico da doença.

“Por isso é de extrema importância adotar medidas preventivas para evitar que o cão seja infectado”, ressalta o Médico Veterinário e gerente Técnico da Intervet/Schering-Plough, Andrei Nascimento. “Pesquisadores estimam que nas áreas endêmicas, para cada humano doente, existam 200 cães infectados”, finaliza. 
 
Serviço:
I Seminário de Leishmaniose Visceral do Noroeste Paulista
Data: 08 e 09 de abril
Local: Casa do Advogado de Rio Preto
Endereço: Av Brigadeiro Faria Lima, 5853
Informações e Inscrições: leishmanioserp@gmail.com ou (17) 3632-2838

domingo, 27 de março de 2011

Donos recorrem à Justiça para evitar morte de cachorros



   O pitbull Vlad, tratado com remédio usado para combater doença reumatológica em humanos

Animais com leishmaniose escaparam do sacrifício após Judiciário ser acionado; ministério discorda de tratamento

Especialistas dizem ser possível controlar doença com remédio, mas teme-se que ação prejudique humanos


ELIDA OLIVEIRA
DE SÃO PAULO 

Donos de cães com leishmaniose lutam na Justiça para livrá-los da eutanásia. Para o Ministério da Saúde, os animais devem ser sacrificados logo após o diagnóstico para evitar a contaminação de pessoas e outros animais.


A doença, causada por protozoário e transmitida pela picada do mosquito-palha, pode matar. Especialistas garantem, porém, que é possível controlá-la com remédio.


O problema é que não há drogas veterinárias aprovadas no Brasil para esse fim, e os ministérios da Saúde e da Agricultura proíbem o tratamento de cães com medicamentos destinados a humanos desde 2008. O objetivo, afirmam, é evitar que o protozoário se torne resistente.


Há duas vacinas cadastradas no Ministério da Agricultura e Pecuária para prevenir o contágio, mas não estão disponíveis na rede pública.
Em meio à polêmica, a psicóloga Márcia de Jesus, 45, de Belo Horizonte, tratou o pitbull Vlad, de oito anos, com um remédio usado para combater uma doença reumatológica em humanos.


Ela conseguiu mostrar à Justiça que o cão não tem mais sinais da doença, contraída há seis anos, e não representa perigo. Venceu a ação.


Em Presidente Prudente (a 558 km de SP), a dona de casa Angela Maria da Silva, 50, ainda aguarda uma sentença que pode salvar Pluto, um SRD (sem raça definida) de sete anos, da morte.


Pluto está no canil municipal desde agosto do ano passado, sob ordem judicial. Antes disso, foi tratado com um antifúngico usado em gestantes com leishmaniose.


O Ministério da Saúde não sabe quantos cães são sacrificados por ano no Brasil por causa da doença.


O secretário nacional de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, afirma que a eutanásia é indispensável para cães doentes. "Tratá-los significa usar em larga escala os poucos medicamentos que temos para leishmaniose e, com isso, reduzir a eficácia dos produtos em humanos."



FONTE: FOLHA

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Justiça de Bauru garante a vida de animal portador de Leishmaniose



Tutora entra na justiça para garantir a vida de seu cão, portador de Leishmaniose Visceral Canina.




Desembargadores de Baurú determinam que antes de se autorizar a eutanásia do animal, deve- se comprovar  que não existe tratamento que paralise a evolução da doença, ou mesmo sua cura, e que tais provas não se podem comprovar através de Mandado de Segurança. 

MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. Impetração
contra eventual ato do Secretário Municipal da Saúde, do
Município de Bauru, que possa advir, com a determinação
de eutanásia do cão de propriedade da impetrante, e que
está infectado com a chamada 'leishmaniose visceral
canina', com base na Portaria Interministerial n. 1426, do
Ministério da Saúde, de 11.7.2008. Ausência de prova préconstituída,
que indique que referida autoridade vá
determinar o sacrifício do cão. E nem há prova nos autos
de que tal acontece sistematicamente no Município de
Bauru. Igualmente, há necessidade de se saber se há
tratamento eficaz que comprove a não evolução da doença
ou a sua cura. Impossibilidade, no entanto, de produção de
prova em sede de Mandado de Segurança. Inadequação da
via eleita. Sentença de extinção do processo sem resolução
do mérito mantida. APELAÇÃO NÃO PROVIDA.

Leia a íntegra do documento:

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Carta da ANCLIVEPA BRASIL à população



CARTA DA ANCLIVEPA BRASIL


A ANCLIVEPA BRASIL divulga aos seus associados sua análise e posicionamento referente à questão da Leishmaniose Visceral Canina - LVC, em nosso país. Durante o ano de 2010 o CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINÁRIA – CFMV realizou encontro técnico-científico sobre a questão da LVC no Brasil, no qual participaram médicos veterinários especializados nas áreas de saúde pública, epidemiologia, clinica médica, além de diretores do CFMV, ANCLIVEPA BRASIL, MAPA, Ministério da Saúde, OPAS e dos CRMVs. Desse encontro, o SISTEMA CFMV/CRMVs divulgou CARTA que situou a realidade da LVC NO BRASIL. De forma idêntica, o CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA VETERINÁRIA DO MATO GROSSO DO SUL (CRMV-MS), promoveu o Iº SIMPÓSIO SUL-MATO-GROSSENSE DE LEISHMANIOSE, com objetivos de informar, atualizar, discutir e orientar médicos veterinários, médicos, advogados, juízes, promotores e delegados sobre os aspectos técnico-científicos e jurídicos da Leishmaniose que foram divulgadas conclusões para toda a classe médica veterinária e a sociedade em geral. Além disso, as ANCLIVEPAs REGIONAIS promoveram por todo país SIMPÓSIOS sobre o tema, procurando informar e discutir o problema. 

Está claro que a LEISHMANIOSE VISCERAL é doença grave, que leva ao óbito animais e humanos, sendo considerada pela OMS endemia prioritária em ações de controle nos 88 países em que está presente. A população brasileira demonstra crescente interesse no conhecimento dessa doença e, sem dúvida, está a cada dia conhecendo mais, não somente sobre a doença, mas também sobre as ações de controle preconizadas pelos agentes de saúde pública do Brasil. 

Dessa maneira, a ANCLIVEPA BRASIL pontua os seguintes aspectos: 

1 – Reconhece o importante papel dos CONSELHOS DE MEDICINA VETERINÁRIA no esclarecimento à sociedade em relação à LEISHMANIOSE VISCERAL. 

2 – Parabeniza o CFMV e os CRMVs que promoveram eventos relativos a discussão do assunto, bem como suas imparciais conclusões, que apontaram falhas cruciais para se alcançar o controle da doença no Brasil 

3 – Conclama que demais Entidades e Conselhos da Medicina Veterinária do país realizem, em 2011, espelhados nos exemplos dos CFMV e CRMV-MS, encontros voltados para o tema. Esses encontros permitem vislumbrar os equívocos existentes na orientação pública em relação ao controle da Leishmaniose Visceral no Brasil 

4 – Divulga que a revisão sistemática da OPAS em janeiro de 2010, concluiu que as ações de controle adotadas no Brasil, não demonstram eficácia. Além disso, essa mesma revisão indica que o controle do vetor seria melhor estratégia do que a polêmica eliminação canina. 

5 – Informa que outros reservatórios urbanos foram identificados, fragilizando ainda mais a eliminação canina praticada pelo serviço público. 

6 – Reitera que os métodos diagnósticos atuais para a Leishmaniose Visceral Canina, mantém-se frágeis e levam à morte milhares de cães com resultados falso positivos. 

7 – Enfatiza a necessidade de medidas de proteção dos cães contra os vetores, distribuindo colares inseticidas ou inseticidas tópicos em animais nas regiões afetadas e a realização de vacinação contra LVC em regiões endêmicas. 

8 – Defende o tratamento de cães afetados, amparada nas evidencias cientificas de que a eliminação desses cães não diminuiu o risco de contaminação humana, além do fato de que os cães tratados mantém-se saudáveis, sem capacidade infectante e constantemente protegidos da aproximação do vetor. Essa conduta encontra respaldo não só em publicações científicas mas também em documentos oficiais da OPAS e OMS.  

Baseados nesses pontos a ANCLIVEPA BRASIL declara que: 

1 – Discorda da proibição do tratamento canina, imposta pela portaria interministerial 1.426/2008, que vem sendo mantida em detrimento de todas as evidencias de sua ineficácia e inexeqüibilidade. 

2 – Defende a opção do tratamento de cães assintomáticos com a autorização e responsabilidade legal do proprietário. 

3 – Defende campanhas públicas de educação em controle do vetor, desfocadas da eliminação de cães. Para isso, será necessário investimento em contratação de mão de obra permanente e treinamento para que as visitas de controle não se limitem à identificação de animais sororeagentes com o objetivo de sua eliminação. Essas visitas devem dar orientações preventivas para o controle da transmissão vetorial. 

4 – Exige aplicação das verbas publicas em medidas éticas que busquem diagnósticos corretos, controle do vetor através de campanhas de aplicação de inseticidas centrados nos cães. 

5 – Não concorda com diagnósticos imprecisos que resultem em eliminação dos animais. Defende exames seguros e repetidos conforme acompanhamento médico dos animais. 

6 – Defende e busca o diálogo com os agentes públicos. 

Esses são os pontos defendidos pela ANCLIVEPA BRASIL que têm sido apresentados pelo país. 

A ANCLIVEPA BRASIL prioriza a saúde da família. A ANCLIVEPA BRASIL promove seus debates com o intuito de esclarecer que o cuidado com a vida dos animais é ação de saúde pública. A ANCLIVEPA BRASIL promove discussões objetivando manter os médicos veterinários atualizados sobre o assunto. 

A ANCLIVEPA BRASIL reitera que o combate da LVC desse ser centrado no controle do vetor. 

Reunião de Diretoria da ANCLIVEPA BRASIL. 


Salvador, 31 de janeiro de 2011 




Paulo Carvalho de Castilho 
Presidente ANCLIVEPA BRASIL  

domingo, 9 de janeiro de 2011

SP- Lençóis tem caso de leishmaniose em gato





Doença em felino não é muito comum, mas exame laboratorial feito em Bauru confirmou a presença do parasita
Lilian Grasiela





Lençóis Paulista – A diretoria de aúde de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) confirmou notificação do primeiro caso de leishmaniose em felinos na cidade. A doença foi diagnosticada por meio de exame de sangue feito por laboratório de Bauru, a pedido de uma clínica veterinária particular. Como tinha outros problemas de saúde, o gato acabou morrendo.

De acordo com o veterinário do Centro de Controle de Zoonoses do município, Fábio Marcel Valezi Luiz Ferreira, apesar de incomum e dos poucos relatos na literatura médica, a contaminação de gatos com o protozoário Leishmania, causador da leishmaniose, pode ocorrer.

“Teoricamente, é uma novidade. O gato pode pegar, mas não é o principal reservatório da doença”, explica. Entre os principais hospedeiros estão animais silvestres como roedores, raposas e preás, além dos cães.

O veterinário destaca que, quando foi levado à clínica, o gato não apresentava sintomas característicos da doença. “Eu não sei quais as circunstâncias em que ele deu entrada na clínica, mas provavelmente por outro problema. Teoricamente, ele não deu entrada com uma suspeita clínica de leishmaniose visceral americana. Ele não tinha sintomas da doença”.

A partir da realização do exame de sangue, que detectou uma quantidade alta de proteína, Ferreira conta que a veterinária do laboratório passou a desconfiar de um problema parasitário. Em análise mais específica, foi constatada a presença da leishmania no sangue do animal, embora ela possa não ter sido a responsável por sua morte.

O veterinário revela que os gatos podem servir de hospedeiros para que a doença chegue até uma pessoa. “O gato, como reservatório, pode transmitir (a leishmania) para uma pessoa. Não há nada que fale que não exista a possibilidade”, afirma.

Segundo ele, hoje, nos Estados Unidos, os felinos são os principais transmissores do vírus da raiva, doença antes associada à mordida de cães.

O médico infectologista do Hospital das Clínicas (HC) da Unesp de Botucatu, Alexandre Naime Barbosa, confirma que os gatos podem ser hospedeiros da leishmania e ressalta que a proximidade dos animais com os humanos favorece, em tese, a transmissão da doença. Segundo ele, o primeiro caso de leishmaniose felina foi descrito em 1912.

Desde então, há cerca de 45 relatos na literatura mundial, espalhados por países como Estados Unidos, França, Espanha, Itália, Portugal, Suíça e Brasil. “Mas pouco se sabe sobre a real importância do gato no ciclo da doença”, conta. “Portanto, os felinos não são considerados um reservatório clássico da leishmaniose, e, esses animais parecem ter algum grau de resistência natural à infecção, determinada provavelmente por fatores genéticos”.

Citando estudo recente publicado por pesquisadores que analisaram felinos de Araçatuba, área endêmica para leishmaniose visceral, o médico aponta que 4% dos gatos apresentaram a infecção e 10,5% chances altas de abrigar o parasita, levando a uma prevalência geral de 14,5%.

Barbosa não acredita que esteja havendo uma mudança na forma de contágio da doença. “A interpretação mais provável é que casos em felinos sempre existiram, talvez mais raramente, e devido à dificuldade de diagnóstico de leishmaniose em felinos (e também em cães), essa situação passou despercebida”, avalia.


Combate ao foco

O veterinário Fábio Marcel Valezi Luiz Ferreira conta que a prefeitura de Lençóis desenvolve trabalho de combate à leishmaniose em duas frentes: por meio de busca realizada por agentes comunitários a cães que possam estar contaminados pelo protozoário leishmania e através da descoberta de focos do mosquito palha, seu principal vetor, em diferentes regiões da cidade.

Em 2010, por meio da primeira frente, chamada de casos de rotina, foram diagnosticados 16 casos da doença. Por meio da segunda frente, chamada de inquérito canino, de 862 amostas de sangue coletadas em determinada região, 645 retornaram com resultado do exame do Instituto Adolfo Lutz, com 18 confirmações da doença em 2010. “Nós distribuímos armadilhas em pontos estratégicos para ver se a gente consegue capturar o flebótomo (mosquito transmissor)”, conta.

Em seguida, os mosquitos são enviados à Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) de Marília para confirmação da espécie. “Eu defino a área onde tenho a presença do mosquito vetor e a gente faz a coleta de todos os cães dessa área”, revela.

No ano passado, Lençóis Paulista registrou apenas dois casos de leishmaniose em humanos, sendo um importado. “A gente nunca teve óbito aqui em Lençóis por leishmaniose visceral”, declara. Com população canina que varia entre 7 e 7,5 mil animais, o veterinário espera coletar amostras de sangue em cerca de 2,5 a 3 mil.