quinta-feira, 28 de julho de 2011

Leishmaniose deixa Goiânia em alerta


Em menos de um mês 13 cães foram contaminados na capital.

Secretaria Municipal de Saúde investiga o avanço da doença.


Os moradores de Goiânia, principalmente da região leste, estão preocupados quanto ao perigo de contaminação da leishmaniose. Somente durante o mês de julho foram detectados 13 cães contaminados com a doença.
Os casos foram registrados no Condomínio Aldeia do Vale, Setor Monte Verde e Chácara dos Ipês. A Secretaria Municipal de Saúde está investigando o avanço da doença e quase 700 cães serão examinados.
Na cidade de Rio Verde, no Sudoeste Goiano, em três anos 38 pessoas tiveram o tipo mais comum da doença, conhecida como leishmaniose tegumentar ou cutânea. O município registrou o maior número de casos em Goiás entre 2007 e 2009.
O que é?
A leishmaniose é transmitida, principalmente, através da picada de um mosquito conhecido popularmente como “mosquito palha”. Depois de infectado o animal passa a ser o hospedeiro da doença e quando em contato com humanos pode transmiti-la.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no Brasil, 3.500 pessoas, em média, são infectadas e o número de óbitos é de aproximadamente 200, anualmente. Quando não tratada, pode evoluir para óbito em mais de 90% das ocorrências.
Prevenção
O médico veterinário, Carlos Zaratin, explica como prevenir a doença: ”A medida mais eficiente é o uso da coleira à base de deltametrina, uma substância que age como repelente. Não faz mal ao animal, não tem cheiro e deve ser usada por seis meses. Assim, o cão estará protegido contra as picadas do mosquito”.
Segundo Zaratin, é importante também a manutenção da higiene e limpeza nos ambientes. Quanto aos sintomas nos animais, o médico alerta para que a atenção seja permanente, uma vez que, mesmo depois de contaminado, a doença pode permanecer inativa e o cão, sem sintomas por muito tempo. ”Depois de infectado, o animal começa a emagrecer, fica apático, perde pelos e as unhas crescem bastante. Em qualquer um destes sintomas, um médico veterinário de confiança deve ser consultado”, aconselha.


Fonte: G1 

segunda-feira, 25 de julho de 2011

ONG da Argentina, faz campanha para uso de coleira com produto manipulado contra leishmaniose




A Argentina deu mais um passo à frente na questão da LVC, e nós aqui insistindo em eutanásias indiscriminadas.
Eutanásias deveriam ser para determinados casos, como a OMS diz em seu informe técnico de 2005.
Um ótimo domingo!
abs
Vivi


Por Danielle Bohnen (da Redação – Argentina)
A decisão do Movimento Argentino de Proteção Animal de Corrientes, MAPAC, de impregnar gratuitamente com um produto especial as coleiras dos animais e a acusação feita contra os veterinários de visarem lucrar com o problema, levantou uma polêmica em torno da questão da prevenção da leishmaniose.
Foto: Diário Época
De acordo com o Diário Época, a professora da Universidade Nacional de Misiones (UNAM), doutora em genética clínica do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (CONICET), Carola Cheroki, realizou uma pesquisa sobre a prevenção da leishmaniose na província de Misones. O trabalho realizado pela MAPAC está aprovado, de acordo com as conclusões de seu estudo.
“O que fez a MAPAC está correto e não é ruim. Assim, uma pessoa que não tem condições de comprar a coleira especial que custa em torno de 95 pesos, também pode proteger seu animal”.
Cheroki agrega ainda que “as pessoas que tem poder aquisitivo maior, devem comprar a coleira scalibur”. Mas previne que apenas a coleira não assegura prevenção total, portanto devem-se tomar outras medidas ambientais. Tais informações devem ser passadas para a sociedade a fim de conscientizar as pessoas dos métodos de prevenção, tais como, a limpeza adequada das casas com kaotrina, higiene nas ruas e dedetização em escala pequena ao redor das casas.
O custo para impregnar uma coleira com o produto é de 16 centavos e o período de duração vai de 21 a 30 dias, sendo necessária a reaplicação após esse período. Cheroki explica que deve-se banhar a coleira com o produto e só depois de totalmente seca na horizontal, pode colocar no animal. A coleira não pode entrar em contato com água, pois, dessa maneira, o produto sai e o animal fica à mercê da doença. Cheroki aclara ainda que as coleiras de nylon têm melhor absorção do produto e realizando bem o procedimento, colocando a quantidade de produto em doses corretas “não representa risco nem para o cão, nem para as pessoas”.
O nome do produto não foi divulgado, pois trata-se de uma droga feita por médicos veterinários nos consultórios, misturando alguns produtos em doses certas. Os especialistas preferem manter em segredo o nome dos produtos utilizados a fim de evitar que a comunidade realize manipulação, afetando, assim, a saúde do animal e humana.
De acordo com Cheroki, “o produto utilizado para impregnar as coleiras, trata-se de um veneno extremamente tóxico para insetos, mas pouco prejudicial à saúde canina e humana, por isso é de acesso livre. Pode-se comprar em qualquer supermercado”.
Carola Cheroki cita o Brasil como um exemplo de prevenção da leishmaniose. “No Brasil, há casos humanos há 40 anos, A primeira metodologia aplicada foi a eutanásia canina. Entretanto, foi comprovado que eliminando os animais não se reduz a quantidade de picadas de mosquitos e continua havendo pessoas infectadas e mortas”.
Ela explica ainda que “a nova campanha do Brasil é de coleiras com a droga retirada da flor de crisântemo ou é produzida de forma sintética em laboratório. O inovador da coleira, é que a droga é seca. Um pó se desprende da coleira e gruda na pele do cão. Assim, quando o cão está com a coleira, reparte o repelente pela casa e gera uma camada protetora no ambiente”.
Com base nessas informações a MAPAC realiza campanha de impregnacão de coleiras de forma gratuita todos os domingos no parque Cambá Cuá, em Misiones.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Justiça determina indenização para donos de cão morto após exame de leishmaniose




Prefeitura de Belo Horizonte deve pagar R$ 1.635 mais R$ 150 pelos danos.

Segundo o fórum, cabe recurso da decisão, que é de primeira instância.



O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou nesta terça-feira (12) que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) tem que pagar indenização a uma família dona de um cachorro que morreu após passar por um exame para controle de leishmaniose. De acordo com a assessoria do Fórum Lafayette, a determinação é do juiz da 4ª Vara de Feitos da Fazenda, Renato Luís Dresch, que considerou que “a equipe de controle de zoonoses mostrou pouca habilidade e preparo técnico para lidar com o animal”. Cabe recurso da decisão, que é de primeira instância.
De acordo com a assessoria do fórum, o município deve pagar R$ 1.635 por danos morais e R$ 150 por danos materiais. Segundo a denúncia da família, funcionários da PBH tentaram submeter o cão Brutus, mestiço das raças rottweiler e pastor alemão, ao teste de sangue, mas não conseguiram. A visita ocorreu no dia 1º de dezembro de 2008.
Ainda segundo o fórum, os autores teriam relatado na ação que quatro agentes tentaram imobilizar o cão e sufocaram o animal durante o procedimento, após empurrá-lo contra a parede. Ele teria ficado inconsciente e foi deixado no local. Brutus teria apresentado fraqueza e morreu, de acordo com a assessoria do fórum. Um exame de necropsia teria apontado que o cachorro sofreu múltiplas hemorragias.
A prefeitura teria alegado na defesa que “os procedimentos adotados são usuais em situações do gênero” e que “o animal se debateu ferozmente, chocando-se contra a parede do canil e tensionando a corda”. A PBH teria dito, ainda, que Brutus não perdeu a consciência, nem sofreu enforcamento.
Procurada pelo G1, a assessoria da prefeitura informou que vai se pronunciar por meio de nota.
 
Fonte: G1

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Nasce BRASILEISH – Grupo de Estudos sobre Leishmaniose Animal.


Criada para o estudo e troca de informações técnicas sobre a leishmaniose

Comunicado oficial da entidade: No dia 17 de junho de 2011, na sede do Conselho Regional de Medicina Veterinária Regional Minas Gerais (CRMV MG), foi criada uma associação científica, que pretende reunir médicos veterinários clínicos de pequenos animais, para o estudo da Leishmaniose em animais. Essa associação adotou o nome de BRASILEISH – Grupo de Estudos sobre Leishmaniose Animal. Os membros fundadores do BRASILEISH são os médicos veterinários André Luis Soares da Fonseca, Fábio dos Santos Nogueira, Ingrid Menz, Manfredo Werkhauser, Paulo Tabanez e Vitor Márcio Ribeiro, que se inspiraram nos colegas europeus quando criaram o LEISHVET. O QUE SERÁ O BRASILEISH:
  • Identidade: 
Associação de caráter científico formada por veterinários, sem fins lucrativos, dedicada à pesquisa e orientação ao manejo clínico de Leishmaniose em animais na Medicina Veterinária do Brasil.
  • Princípio: 
Defesa e respeito à vida humana e animal, pautados em valores éticos e científicos.

  • Objetivos: 

  1. Orientar os clínicos veterinários e discutir junto as autoridades sanitárias sobre os melhores métodos diagnósticos, tratamentos e medidas de prevenção da Leishmaniose nos animais.
  2. Orientar os órgãos de classe, entre eles o CFMV e CRMVs, sobre as evidencias cientificas da doença nos animais. 
  3. Estabelecer recomendações que sejam reconhecidas a nível nacional e internacional.
  4. Orientar a população, através da mídia e eventos populares, sobre a prevenção, tratamento e realidade da doença no país.
  5. Estudar, elaborar e executar trabalhos de pesquisa destinados ao manejo da doença nos animais.
  6. Disponibilizar diálogo com todas as instituições de outras profissões e organizações não
  7. governamentais sobre os aspectos da Leishmaniose nos animais.
  8. Médicos veterinários de todo o país comprometidos com a defesa e respeito à vida humana e animal serão convidados a compor o quadro social do BRASILEISH. 
  9. A próxima reunião do BRASILEISH ocorrerá no dia 28 de outubro de 2011, em Belo Horizonte, véspera do VII Simpósio Internacional de Leishmaniose Visceral Canina. Haverá durante o Simpósio, a apresentação do BRASILEISH aos médicos veterinários. 
Da esquerda para a direita: Dr Manfredo Werhauser, Dra Ingrid Menz, Dr Vitor Marcio Ribeiro, Dr Paulo Tabanez, Dr. Fábio Nogueira e Dr. André Luiz Soares da Fonseca


O BRASILEISH está ligado à ANCLIVEPA MG na organização do VIII Simpósio Internacional de Leishmaniose Visceral Canina, que será realizado nos dias 29 e 30 de outubro de 2011 e terá o tema : “Leishmaniose Visceral Canina x Centro de Controle de Zoonoses – Realidade na Europa e no Brasil. ” 


Nosso convidado especial será o Dr. Javier Lucientes, chefe do Centro de Controle de Zoonoses da cidade de Madri – Espanha e que foi o consultor europeu da Organização Mundial de Saúde durante o Encontro de Expertos em Leishmaniose Visceral nas Américas promovido pela Organização Panamericana de Saúde e Ministério da Saúde do Brasil, ocorrido em Brasília, Brasil, em 2005. 



VENHA PARTICIPAR DO MAIOR CONGRESSO DA ANCLIVEPA NA CAPITAL MAIS ACONCHEGANTE DO PAÍS!

Faça sua inscrição individual ou dupla inscrição. Na dupla inscrição você ganha desconto especial.


Fonte: Anclivepa

Nota: 
A Leishmaniose é uma antropozoonose (doença que se transmite dos animais aos homens e vice-versa).

O cão é o portador mais bem estudado e por isso é considerado o principal reservatório doméstico, porém outros animais como gatos, raposas, gambás, roedores, também são reservatórios da doença.

O transmissor da doença é o mosquito palha, mas o combate ao mosquito praticamente não existe no Brasil.

Hoje no Brasil todos os animais com "suspeita" de Leishmaniose devem ser mortos, e o tratamento com medicamento de uso humano é proibido. Não existem medicamentos de uso veterinário.

Não há estudos que comprovem que matar animais resolva o problema, uma vez que a prática da matança acontece há décadas e o índice de casos humanos só tem aumentado.

Cerca de 48%, dos resultados dos exames atualmente realizados nos cães, tem resultado falso positivo.

O BRASIL É O ÚNICO PAÍS NO MUNDO QUE MATA CÃES COM LEISHMANIOSE... TODOS OS OUTROS TRATAM A DOENÇA.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Leishmaniose: Projeto de Lei prevê fim do sacrifício de animais

Se projeto for aprovado pela Câmara Federal, eutanásia canina
não deverá mais ser ministrada
O deputado federal Geraldo Resende (PMDB-MS) apresentou na Câmara projeto que prevê o fim da obrigatoriedade de sacrifício de animais infectados pela leishmaniose. De acordo com a proposta do deputado, o sistema de saúde pública deve implantar uma política nacional de vacinação e tratamento de animais.

“O debate sobre o tema é fundamental. Esta doença está em 12 países da América Latina, mas 90% dos casos são registrados no Brasil”, nota o deputado, para quem é possível estabelecer um programa de tratamento em à eutanásia canina. “A prática do sacrifício indiscriminado é inaceitável na Europa. Em diversos países existem estudos científicos e mobilização de médicos veterinários e criadores de cães contra esta ação”.
Segundo Geraldo Resende, o combate ao vetor praticado em nível doméstico tem eficácia temporária, pois utilização de inseticidas nas casas perde o efeito depois de algum tempo. “É importante a decisão política de disponibilizar orçamento para o combate ao mosquito transmissor. É um caso de saúde pública como a dengue”, diz.
“O sacrifício de cães é mais maléfico que benéfico, já que por motivações afetivas ou econômicas, muitos proprietários se recusam a entregar seus animais e os escondem, colocando a população em risco”, diz o deputado, lembrando que existe tratamento. “Há diversos protocolos de trabalhos científicos exitosos nesta área, além disso, me parece mais racional tratar a exterminar cachorros e gatos. Proponho a vacinação dos animais, bem como a possibilidade de curar os animais infectados”.
Doença - Leishmaniose é uma doença parasitária transmitida pela picada do mosquito infectado. A doença afeta animais domésticos, urbanos e silvestres. Para cada ser humano contaminado estima-se que há uma média de 200 cães infectados. Existem dois tipos de leishmaniose: a tegumentar, que se caracteriza por feridas na pele, e a visceral, que ataca vários órgãos internos.
Os sintomas variam de acordo com o tipo da leishmaniose. No caso da tegumentar, surge uma pequena elevação avermelhada na pele que vai aumentando até se tornar uma ferida que pode estar recoberta por crosta ou secreção purulenta. Há também a possibilidade de sua manifestação se dar através de lesões inflamatórias no nariz ou na boca. Na visceral, ocorre febre irregular, anemia, indisposição, palidez da pele e mucosas, perda de peso, inchaço abdominal devido ao aumento do fígado e do baço.

http://www.acritica.net/index.php?conteudo=Noticias&id=44006

domingo, 26 de junho de 2011

A eutanásia não é necessária para cães com leishmaniose


Animal pode ter cura clinica - possui o parasita, mas não apresenta os sintomas. Eutanásia é duramente criticada

Ilustração
A leishmaniose é uma doença crônica, e se não for tratada leva o cachorro a morte. Existem vários tratamento, o mais utilizado é a injeção diária de um principio ativo que destrói o parasita e a administração de medicamentos orais. Veterinários recomendam que o cão passe por exames da leishmaniose pelo menos uma vez por ano, mesmo que esteja aparentemente saudável. Se os resultados dos testes levantarem dúvidas aos médicos veterinários, deverão ser repetidos 30 a 45 dias depois ou realizarem-se exames complementares de diagnóstico diferentes. Caso comprovada a doença, o animal, se tratado corretamente, pode ter uma cua clinica, ou seja, deixará de ter os sintomais da doença, mas continuará a ser portador do parasita.
No Brasil, caso o animal seja diagnostica com a leishmaniose a recomendação é a eutanásia do animal, política bastante criticada por profissionais da área. “Há que repensar esta medida, uma que vez que nem todos os animais infectados desenvolvem a doença e os animais doentes podem curar-se. Não devemos recomendar a eutanásia dos cães, assim como não recomendamos a eutanásia de pessoas. Nós também somos médicos”, declarou Guadalupe Miró, da Faculdade de Veterinária da Universidade Complutense de Madrid, no Primeiro Simpósio Leishmania realizado, no passado fim-de-semana, pela Intervet Shering-Plough, em Madrid (Espanha).
Contudo, como acontece com qualquer doença, a prevenção é sempre a melhor arma contra a leishmaniose. Os artigos científicos mais recentes e a própria Organização Mundial da Saúde recomendam que “os tutores dos cães devem ser encorajados” a colocarem nos seus animais coleiras impregnadas de deltrametrina a 4%, uma substância que repele os flebótomos. A coleira deve ser substituída a cada seis meses. Em alternativa, podem ser utilizadas pipetas com a mesma substância mensalmente. Ambos os produtos têm uma eficácia de 90%.
Desde Maio que está disponível em Portugal a primeira vacina desenvolvida para prevenir a leishmaniose canina, comercializada pela Virbac. A vacina pode ser administrada a partir dos seis meses de idade. O ciclo completo de vacinação consiste em três injeções, com intervalos de três semanas, sendo depois necessária apenas uma dose de reforço anual para manter a imunidade.
De acordo com Luís Cardoso, durante a Campanha Nacional de Vacinação Anti-rábica, que se realiza todos os anos, se o médico veterinário municipal suspeitar de que um cão tem leishmaniose, é obrigado a notificar o tutor para que este realize exames de diagnóstico e os apresente num prazo de três meses. Caso não o façam, ficam sujeitos a uma contra-ordenação. Se o teste for positivo, o tutor tem que se comprometer a fazer o tratamento ou optar pela eutanásia do animal (Decreto-lei nº 314/2003, de 17 de Dezembro). “Mas esta obrigatoriedade é só para os médicos veterinários oficiais, não para a clínica privada”, sublinha Luís Cardoso.
A doença
A Leishmaniose canina é uma doença parasitária transmitida pela picada do mosquito infectado (fêmeas da espécie Lutzomia longipalpis - também conhecido por mosquito-palha). Trata-se é uma doença sistêmica grave, de curso lento e crônico. 
Prevenção: a melhor opção é a utiliza...
O calazar canino, do ponto de vista epidemiológico, é considerado mais importante que a doença humana, pois além de ser mais prevalente, apresenta um grande contingente de animais infectados com parasitismo cutâneo, que servem como fonte de infecção para os insetos vetores. Estas características tornam o cão doméstico o principal reservatório do parasito. Durante epidemias o homem também pode servir como reservatório do parasito, para a infecção do inseto vetor.
Sintomas:
Perda de peso e/ou falta de apetite;
Apatia e debilidade;
Seborréia, feridas que não cicatrizam;
Crescimento rápido das unhas;
Anemia;
Inchaco dos ganglios;
Insuficiencia Renal;
Diarréias persistentes, vômitos;
Lesões Oculares (conjuntivites);
Hemorragia nasal (epistaxe);
Ferimentos ao redor dos olhos e na pele.

*Com ANDA News e Agências

sábado, 11 de junho de 2011

Feliciano publica relatório do Seminário de LVC


O deputado estadual Feliciano Filho (PV-Campinas) promoveu no dia 18 de junho de 2010 o maior seminário sobre Leishmaniose do Brasil. Realizado no Auditório Franco Montoro da Assembleia Legislativa de São Paulo, o evento reuniu os maiores especialistas do país para debater o assunto.
Vítor Márcio Ribeiro, que é médico veterinário e professor da PUC-MG, palestrou sobre os aspectos éticos e técnicos da Leishmaniose Visceral Canina e traçou parâmetros de como a doença é tratada no Brasil e no mundo.
Marcio Antoninio Moreira é o responsável pelo laboratório do hospital veterinário da Universidade Anhembi Morumbi e esclareceu as formas de controle e prevenção da Leishmaniose.
Como tudo o que não é de conhecimento da população, a Leishmaniose também é alvo de algumas informações desencontradas e veiculadas por pessoas que não conhecem o assunto. Mestre em Imunologia das Leishmanioses pela USP/SP, André Luís Soares da Fonseca, médico veterinário e advogado, esclareceu as verdades sobre a doença e tranqüilizou os participantes quantos aos mitos criados, principalmente através da internet.
O veterinário Fábio Nogueira esclareceu sobre as manifestações clínicas e como funciona o ciclo epidemiológico da Leishmaniose.
Muito se engana quem pensa que a Leishmaniose é motivo de discussão apenas no campo da medicina veterinária ou da biologia. No campo jurídico a enfermidade também provoca boas discussões. O advogado Sérgio Cruz, membro da Comissão de Meio Ambiente da OAB/MG, explanou sobre um caso em que Belo Horizonte foi obrigada a pagar uma indenização de R$ 40 mil por ter matado o animal de um munícipe.
Doutorado em saúde Pública Tropical pela Harward University, em 1997, o epidemiologista Carlos Henrique Nery Costa esclareceu que apenas no Brasil os animais portadores de Leishmaniose são exterminados. “Infelizmente o Brasil é o único país do mundo que não segue as normas internacionais no combate e tratamento da Leishmaniose e para nenhuma endemia. Apenas para o tratamento de HIV seguimos o que é preconizado mundialmente. Matar os animais não resolve a problemática da Leishmaniose”, explica o especialista.
“Cansado de assistir a incompetência dos governos, resolvi ir além das minhas prerrogativas, que é a de fiscalizar. Por isso, resolvi promover esse seminário sobre Leishmaniose para trazer toda a verdade a tona”, conclui o parlamentar paulista.
Confira abaixo o relatório do Seminário sobre LVC:
O deputado estadual Feliciano Filho promoveu no dia 18 de junho de 2010, o seminário “Leishmaniose: matar animais resolve?”. Realizado no Auditório Franco Montoro da Assembleia Legislativa de São Paulo, o evento reuniu os maiores especialistas do país para debater o assunto, entre eles médicos veterinários, advogados, e um médico infectologista com Doutorado em Saúde Pública Tropical por Harvard-EUA.
Vítor Márcio Ribeiro
Médico Veterinário, professor da PUC-MG, graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais (1980) , mestrado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais (1988) e doutorado em Parasitologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2001) . Atualmente é Professor Adjunto III – Aulista da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Médico Veterinário da Clínica Veterinária Santo Agostinho, Conselheiro da ANCLIVEPA MG e Conselheiro suplente do CRMV-MG.
Sérgio Cruz
Advogado,faz parte da Comissão do Meio Ambiente da OAB/MG e assessor jurídico da ANCLIVEPA-Brasil
Fábio Nogueira
Médico Veterinário,professor da Fundação Educacional de Andradina/SP, Mestre e Doutor em Leishmaniose. Andradina –SP
André Luis Soares da Fonseca
Médico veterinário e advogado. Professor de Imunologia e Imunoclinica e Genética Médica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Especialista e Direito Civil e Processual Civil. Mestre em Imunologia das Leishmanioses pela USP/SP e doutorando da USP/SP.
Carlos Henrique Nery Costa
1990 – 1996 Doutorado em Saúde Pública Tropical. Harvard University, HARVARD, Estados Unidos. 
1979 – 1982 Mestrado em Medicina Tropical. Universidade de Brasília, UNB, Brasil. 
1970 -1976 Graduação em Medicina. Universidade de Brasília, UNB, Brasil. �
2006 – atual: Coordenador Executivo da Rede Nordeste de Biotecnologia 
2003 – atual: Diretor do Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella
1997 – atual: Supervisor da residência médica em Infectologia da UFPI
2011 – atual: Presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical
Marcio Antonio B. Moreira
Médico veterinário, dedicado ao diagnóstico laboratorial das doenças; graduado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP – Araçatuba); Mestrado em Fisiopatologia pelo Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), pesquisando o diagnóstico da leishmaniose visceral canina; Responsável pelo Laboratório de Patologia Clínica do Hospital Veterinário da Universidade Anhembi Morumbi (HOVET-UAM); Pesquisador do Laboratório de Patologia Animal da UNESP – Araçatuba.
Prof. Dr. Silvio Arruda Vasconcellos
Conselheiro Efetivo do CRMV-SP, Professor Titular de Zoonoses – Saúde Pública Veterinária da FMVZ/USP.
Com a proposta de discutir a atual política brasileira para o controle da doença no Brasil, que atualmente se concentra basicamente na eliminação do reservatório canino, o evento reuniu centenas de pessoas, na maior parte, ligadas à Saúde Pública no Estado de São Paulo.
A Leishmaniose Visceral (LV) é uma doença infecciosa, e não contagiosa, ou seja, não passa diretamente do cão para o homem, sendo o responsável pela transmissão o vetor Lutzomyia longipalpis (conhecido como flebótomo, ou mosquito palha). O cão é considerado o principal reservatório da Leishmania infantum, agente da doença, mas não é o único. Estudos científicos demonstraram que gatos, gambás e ratos podem ser encontrados infectados, e potencialmente poderiam ser reservatórios e fontes de infecção do flebótomo pelo agente. A LV é doença vetorial, sendo assim, a melhor forma de controle é o combate do vetor, o que acontece de forma muito precária no Brasil.
A prática da matança de cães como forma de controle da doença é usada no país desde 1963, por força de um Decreto Federal, porém o número de casos humanos só tem aumentado. Enquanto os esforços são concentrados na matança de cães, desvia-se o foco do problema central, que é o controle do vetor.
A Portaria Interministerial 1.426 de 2008, proíbe o tratamento da LV em cães com produtos de uso humano ou produtos não-registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Temos o conhecimento que existem atualmente no Brasil vários proprietários que tratam seus cães, por força de liminar, assim como médicos veterinários que conseguiram tal autorização, além de inúmeros casos onde o Estado foi obrigado a pagar multa por danos morais a proprietários que tiveram seus cães mortos.
Não existem evidências científicas que comprovem que a prática da eliminação canina em massa resolva o problema e controle o avanço da doença. O Brasil é o único país no mundo que mata cães como forma de controle leishmaniose.
Os atuais métodos diagnósticos utilizados no Brasil não são os mais aceitos pela OMS (Organização Mundial de Saúde), nem utilizados em países europeus, que tratam os animais doentes. Os exames realizados atualmente no Brasil apresentam baixa especificidade, que chega a 48% de erro no diagnóstico, resultando em muitas reações cruzadas com outras infecções, tais métodos deveriam ser usados apenas para levantamento epidemiológico (pesquisa de campo feita em uma determinada área para identificar os problemas de saúde que ameaçam a população) e nunca como critério de diagnóstico (aquilo que serve de norma para chegar a uma conclusão) da doença. Para um diagnóstico seguro, é necessária a realização da associação de mais um método diagnóstico, que comprove se o cão é ou não portador da infecção, conforme matéria publicada na FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (anexo).
Além disso, recente Revisão Sistemática encomendada pela OPAS/OMS (Organização PanAmericana da Saúde/Organização Mundial de Saúde) concluiu que mesmo com a eliminação dos cães nas últimas décadas, a incidência de Leishmaniose Visceral Humana manteve-se elevada, atribuindo a esse fato a baixa sensibilidade do teste de seleção, os longos atrasos entre o diagnóstico e o abate e a rejeição a esta intervenção por parte dos proprietários dos cães. Concluindo ao final: “Este estudo não demonstrou efeito positivo do abate de cães como medida de controle de infecção em humanos e cães.”, e continua “No entanto, o número crescente de casos verificados de LV no Brasil e a expansão da transmissão em áreas anteriormente não afetadas levantam dúvidas sobre o impacto das medidas de controle atualmente utilizadas.”
Os animais são tidos como membros da família. Para a lei são considerados “coisas”, mas para a família que os abriga são bens de valor, possuem valor afetivo. A mesma revisão sistemática da OPAS/OMS concluiu que “O abate canino parece ser a intervenção menos aceitável ao nível da comunidade, por razões óbvias, e tem baixa eficiência devido à taxa de reposição dos cães eliminados.” Em muitos casos, a família que abriga este animal, na intenção de protegê-lo de ser morto, o esconde, ou o leva para outros locais onde possivelmente ainda não há a doença. A prática da matança antipatiza os fiscais de controle de saúde, prejudicando inclusive o controle de outras doenças como a dengue, e desprestigia o médico veterinário.
Sendo assim, para evitar que animais sejam mortos indevidamente, para diagnóstico de certeza da LVC, para o conhecimento real e preciso da quantidade de animais infectados com essa importante zoonose, a fim de proteger os humanos, entendemos que o procedimento diagnóstico mais eficaz e seguro seria através da realização da atual triagem sorológica (e.g., RIFI e ELISA), e nos cães com resultados positivos realizar a confirmação por algum dos métodos parasitológicos.
Programas de combate ao vetor e conscientização da população para evitar a proliferação do flebótomo, bem como o uso de medidas preventivas como vacinas e coleiras nos cães, são imprescindíveis de serem implantadas.
Somente embasados em dados técnicos confiáveis sobre o número real de animais infectados pela LV poderemos desenvolver técnicas eficazes para diminuir sua disseminação, possibilitando o controle ético e humanitário da doença e o correto tratamento em seres humanos.